A quem interessar possa:
Ontem, dia 19 de maio de 2016, fui convidada a estar
presente à reunião na Secretaria de Educação sobre questões relacionadas a
nossa escola devido à uma série de fatores que levaram a Secretaria de Educação
a criar uma comissão de trabalho para avaliar situações pertinentes à escola no
período de abril e maio deste ano.
Tal avaliação resultou em um relatório técnico levado ao
Conselho Municipal semana passada, resultando na suspensão temporária de uma
parcela da subvenção destinada à ACVLUZ.
A reunião ocorrida ontem, com o intuito de esclarecer
dúvidas e apresentar propostas de ação do que “poderá ser feito de agora em
diante” teve duração de pouco mais de 3 horas. Estarei relatando aqui o que
ouvi, não se tratando de documento oficial, pois não sou representante de turma
EMCM mas apenas uma das colaboradoras pela comunicação da escola. Não farei
transcrição de 3 horas e assim, espero poder colaborar na melhor divulgação de
fatos para que juntos possamos construir o que “poderá ser feito de agora em
diante”, segundo palavras do próprio secretário de educação, Renato.
Resumidamente, foi uma reunião pacífica onde todos puderam
defender suas posições, ouvir e serem ouvidos. Ao final o secretário liberou a
parcela da subvenção à ACVLUZ e decidiu-se por um grupo de trabalho menor,
formado pela secretaria, a ACVLUZ , a EMCM e o Conselho Municipal, com total de
7 a 8 membros. Tal grupo iria então estudar e definir detalhes sobre o que “deverá
ser feito de agora em diante”.
Segue abaixo as questões discutidas ontem:
O Secretário iniciou a reunião explicando como estava sendo
contabilizado o número de professores X carência na EMCM e foi constatado que
haviam professores considerados professores, realizado dobras inclusive, mas
não presentes em sala de aula. Assim, para a secretaria, a carência não era
real. Todavia, com o afastamento de professoras por licença maternidade (que não
é considerada carência real) e com a impossibilidade de dobras por parte de
outras professoras, ainda não foi realizado o balanço da carência real de
faltas e o que prefeitura poderia fazer na atual circunstância, onde outras
escolas também estavam sofrendo com isso, ela estaria disposta a fazer mas que
direção e pais também pudessem colaborar até o fim deste período de espera à
chamada dos concursados (para fim de Junho e Julho). Não se mencionou carência de
auxiliares. O caso da professora Mara é que ela havia se apresentado no dia
anterior se dizendo impossibilitada de estar presente em sala, assim o secretário
disse que ela foi encaminhada à adaptação. Professor Joel é considerado professor
de sala e professora Rosali, na dobra, considerada professora de sala.
O assunto seguinte foi a apresentação de quatro cenários
sobre o que “poderá ser feito de agora em diante”. No Datashow, o secretario
colocou 4 tópicos, que apenas descrevo, pois não tirei foto:
1)
Manter-se o convenio e subvenção para 2017 em
diante desde que sejam refeitos e atualizados, tanto o convênio quanto o plano
de trabalho para a subvenção.
2)
Mudar a EMCM de localização.
3)
Desapropriar o espaço e tornar municipal sem
garantia de autonomia pedagógica (o 2 e 3 podem estar em ordem diferentes).
4)
Manter somente a subvenção com reserva de vaga
para a rede (neste caso o secretário citou como modelo a creche Colmeia do
Senhor).
Falou-se então da Contribuição
Rítmica. O secretário Renato explicou que a rede municipal não poderia arcar
com 100% dos custos da pedagogia waldorf e pede que tenhamos um consenso sobre
como poderá ser feito. Disse ter recebido diversas denúncias de pais
insatisfeitos com a prática, o próprio ministério público, disse não acreditar
em turmas mais valorizadas e turmas menos valorizadas, mas que o ambiente para
discutir fosse ali. (O assunto irá retornar quando se dará a palavra aos demais
presentes).
Depois o secretário analisou a
questão da venda de material na escola. Disse que realmente é irregular, que
nem cantina se pode ter. Disse haver disponível um kit de material da escola
Cecília Meireles e afirmou estar aguardando autorização de recebimento pela
direção. Diretora Mirtes afirmou que já foi pedido e agora deveremos aguardar o
kit chegar. Quanto ao material waldorf, disse estar aberto a realizar a
licitação do mesmo, disse que as informações devem ser encaminhadas até outubro
para se conseguir para 2017. Ao saber que não há opções de orçamento, disse que
então deve ser visto através da subvenção. Alexandre da secretaria afirmou que a
subvenção poderia se encarregar da compra desse material para o ano seguinte.
Falou-se da subvenção, do plano
de trabalho da subvenção, que atualmente não especifica professor em sala de
aula e sim como profissional formador (tutor). Que apenas em falta de
profissional em sala o formador deveria estar em sala como professor. Outros
presentes acordaram que tais profissionais encontram-se como professores há
alguns anos. Assim, foi sugerido que o plano de trabalho para uma próxima
subvenção seja modificado para atender essa questão.
Falou-se do 6º ano, o secretário
afirmou que este seria o único ponto onde a secretaria já vem com uma intenção
de não dar continuidade à progressão, ainda, nada em definitivo. Devido à uma série
fatores e inclusive com um caso atual de dificuldade na transferência de um
aluno pelo conteúdo, a secretaria apresenta a intenção de não dar continuidade,
o 6º ano seria um protótipo que não funcionou.
Falou-se da merenda escolar para
escolas waldorf. O secretário Renato disse estar verificando a possibilidade da
nutricionista da secretaria atender as demandas específicas das escolas waldorf,
dentro do possível. Afirmou não estar havendo carência de merenda na rede. Expressou
estar aberto a nos atender e diz desconhecer nossas necessidades específicas.
Citou apenas o pão integral.
Abriu-se para fala dos presentes.
Iniciou com Rico do Conselho Municipal dizendo que o convênio deve ser mantido
mas atualizado, afirmou que a subvenção deve ser utilizada para atender a
formação, tutores e que não deve haver contribuição ou cobrança dos pais, pois fere
a escola pública. Renato cita a associação como forma de se manter a contribuição,
e Rico afirma que se há, não se pode misturar com as atividades da escola. Erica
do Conselho Municipal concorda. Erica fala para se ter cuidado para não se
abrir precedentes para outras escolas. Que uma coisa é associação de pais e
mestres, o conselho escolar e essa outra associação.
Mirtes explica que não há
cobrança e que a contribuição é feita pelos pais através dos pais por conta das
necessidades da pedagogia e da manutenção do prédio. Mirtes explica que quando o
pai entra na escola é explicado essa possibilidade, que a forma como é colocado
não há nem o valor e configura cobrança a partir do momento que há valores.
Marta do Conselho Municipal e mãe
coloca que a polêmica iniciou-se com o pagamento de professores e horas extras
de professores. Que uma coisa é material, pequenos reparos... e outra é um compromisso
de orçamento. Pois uma escola privada é
que tem orçamento. Marta defende o fim da contribuição dentro da escola, que
não se recolha dentro da escola. Marta também afirma que como mãe há oito anos,
nunca viu sequer uma prestação de contas da ACVLUZ, uma associação nebulosa. Que
se contribuir para essa associação, que seja transparente a prestação de contas
e suas atividades.
Como mãe, presente, participativa
na escola, com quatro filhos na escola, explico que me senti constrangida e
cobrada em diversos momentos. Não pelos funcionários da escola, mas pelos pais
que me disseram existir a necessidade de bater metas, de pagar professores, de
comprar merenda. Que essa pressão veio maior este ano, com a necessidade de se
arcar grandes obras como salas e pátio para o 6º ano. Eu me senti pressionada, houve
tentativas de me impedir de questionar, por que os pais tem de pagar isso?
Fabio do Conselho Municipal e pai
coloca que é inadmissível “monetarizar” as relações da escola através de valores.
Que numa escola pública não se deve pagar, nem por material diferenciado. Que
ao “monetarizar” as relações na escola, a consequência é que os alunos sejam
naturalmente diferenciados, pois uma escola que precisa pagar seus professores com
dinheiro dos pais fará o que for preciso para não perder verbas que cobre o
orçamento. Isso pode acontecer. Fabio abriu uma sugestão, que Renato entendeu
como uma 5ª possibilidade, que é o aluguel do espaço como se faz em tantas
outras escolas.
Bluma do Conselho Municipal e avó
coloca que ao longo do tempo mudou sua perspectiva, pois com a abertura das
discussões tem-se ouvido muito as reclamações dos pais que se sentem constrangidos
e vê hoje a contribuição rítmica dentro do ambiente da escola como algo prejudicial.
Bluma se coloca como professora pública numa luta que se deve travar pela
escola pública e reconhece o árduo trabalho realizado pelos professores da
escola.
Mirtes diretora da EMCM diz que
foi eleita pelos pais, pela vontade dos pais. Que é chorona e que não vai
chorar, que se sente muito contente por estar ali resolvendo estas questões em
conjunto. Explica o envolvimento dos pais na escola, o trabalho dos pais, que
em nenhum momento houve nenhuma diferenciação entre turmas ou crianças. Que
isso não existe e nunca existiu. Que pelo contrário, há pais que querem colaborar
para que aquele lindo projeto continue pois uma escola waldorf particular tem
mensalidades entre dois e três mil reais. E que se temos escola pública waldrof,
é um bem.
Dioneson diretor do Vale de Luz e
da ACVLUZ fala como se faz na EM Vale de Luz, que não há cobrança ou
contribuição dos pais. Que há sim padrinhos, mas que o volume de doações é
pequeno e que eles se esticam para cobrir tudo. Explica que os materiais waldorf
não são vendidos, que todas as crianças recebem igual. Que se faltar para um
falta para todos e que doações são recebidas de outras escolas e que o papel
canson é comprado com dinheiro do PDDE.
Lúcia presidente da ACVLUZ fala
da história da escola e da ACVLUZ, lembra da importância histórica, o trabalho
que já foi feito e que ela mesma colaborou na compra daquele terreno da EMCM.
Explica que neste momento está havendo a cisão da ACVLUZ em associações
menores, que hoje cada parte já tem sua autonomia de gestão e que falta apenas se
desmembrar. Explica também que as escolas waldorf tem demandas específicas, que
ter uma escola como essa, há tantos anos, pela rede municipal precisa ser visto
como algo de bom. Fala também que os pais que não aceitam essas condições, que
devessem sair da escola.
O secretário Renato explica que numa escola pública não é bem assim e que
não se deve sair quem não concorda e sim somente os pais que quiserem sair. Novamente
leva o assunto da contribuição para que seja decidido naquele âmbito, pergunta
quem discorda de que a contribuição permaneça através da associação.
Marcelo Verli do Conselho Municipal
fala da história da associação, defende o convênio e do tempo de parceria com a
associação.
Fabio, Bluma, Marta, Rico, Erica,
Carol (da secretaria de educação) fazem pequenas intervenções quando Dioneson se
coloca novamente, como dirigente de uma escola pública. Explica que é muito
delicado, muito complicado manter uma contribuição dos pais em uma escola
pública. Ele diz não recomendar tal ação. Volta a dar o exemplo da EM Vale de
Luz.
Assim, o secretario Renato
confirma o fim de qualquer contribuição dentro do ambiente da escola. Inclusive
sua promoção dentro da escola. Erica pergunta se a associação pode receber
estes pais no escritório fora do ambiente da escola. Lucia e Mirtes afirmam que
não há hoje escritório próprio e que os dirigentes recebem as pessoas nas
unidades escolares.
O secretário decide criar um
grupo menor de trabalho para que se estude e analise o que deverá ser feito a
partir de agora. Formado pela secretaria, pelo conselho municipal e pela escola
e associação. De sete ou oito pessoas. Os pais deveriam ser informados do
conteúdo da reunião de hoje pelos presentes e num próximo estágio, os pais da
EMCM deverão ser chamados a participar. O secretário afirma que irá liberar a
parcela da subvenção e se encerra a reunião.
Clarissa.
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