sexta-feira, 20 de maio de 2016

Reunião 19/05/2016 na Secretaria de Educação

A quem interessar possa:

Ontem, dia 19 de maio de 2016, fui convidada a estar presente à reunião na Secretaria de Educação sobre questões relacionadas a nossa escola devido à uma série de fatores que levaram a Secretaria de Educação a criar uma comissão de trabalho para avaliar situações pertinentes à escola no período de abril e maio deste ano.

Tal avaliação resultou em um relatório técnico levado ao Conselho Municipal semana passada, resultando na suspensão temporária de uma parcela da subvenção destinada à ACVLUZ.

A reunião ocorrida ontem, com o intuito de esclarecer dúvidas e apresentar propostas de ação do que “poderá ser feito de agora em diante” teve duração de pouco mais de 3 horas. Estarei relatando aqui o que ouvi, não se tratando de documento oficial, pois não sou representante de turma EMCM mas apenas uma das colaboradoras pela comunicação da escola. Não farei transcrição de 3 horas e assim, espero poder colaborar na melhor divulgação de fatos para que juntos possamos construir o que “poderá ser feito de agora em diante”, segundo palavras do próprio secretário de educação, Renato.

Resumidamente, foi uma reunião pacífica onde todos puderam defender suas posições, ouvir e serem ouvidos. Ao final o secretário liberou a parcela da subvenção à ACVLUZ e decidiu-se por um grupo de trabalho menor, formado pela secretaria, a ACVLUZ , a EMCM e o Conselho Municipal, com total de 7 a 8 membros. Tal grupo iria então estudar e definir detalhes sobre o que “deverá ser feito de agora em diante”.  

Segue abaixo as questões discutidas ontem:

O Secretário iniciou a reunião explicando como estava sendo contabilizado o número de professores X carência na EMCM e foi constatado que haviam professores considerados professores, realizado dobras inclusive, mas não presentes em sala de aula. Assim, para a secretaria, a carência não era real. Todavia, com o afastamento de professoras por licença maternidade (que não é considerada carência real) e com a impossibilidade de dobras por parte de outras professoras, ainda não foi realizado o balanço da carência real de faltas e o que prefeitura poderia fazer na atual circunstância, onde outras escolas também estavam sofrendo com isso, ela estaria disposta a fazer mas que direção e pais também pudessem colaborar até o fim deste período de espera à chamada dos concursados (para fim de Junho e Julho). Não se mencionou carência de auxiliares. O caso da professora Mara é que ela havia se apresentado no dia anterior se dizendo impossibilitada de estar presente em sala, assim o secretário disse que ela foi encaminhada à adaptação. Professor Joel é considerado professor de sala e professora Rosali, na dobra, considerada professora de sala.

O assunto seguinte foi a apresentação de quatro cenários sobre o que “poderá ser feito de agora em diante”. No Datashow, o secretario colocou 4 tópicos, que apenas descrevo, pois não tirei foto:
1)      Manter-se o convenio e subvenção para 2017 em diante desde que sejam refeitos e atualizados, tanto o convênio quanto o plano de trabalho para a subvenção.
2)      Mudar a EMCM de localização.
3)      Desapropriar o espaço e tornar municipal sem garantia de autonomia pedagógica (o 2 e 3 podem estar em ordem diferentes).
4)      Manter somente a subvenção com reserva de vaga para a rede (neste caso o secretário citou como modelo a creche Colmeia do Senhor).

Falou-se então da Contribuição Rítmica. O secretário Renato explicou que a rede municipal não poderia arcar com 100% dos custos da pedagogia waldorf e pede que tenhamos um consenso sobre como poderá ser feito. Disse ter recebido diversas denúncias de pais insatisfeitos com a prática, o próprio ministério público, disse não acreditar em turmas mais valorizadas e turmas menos valorizadas, mas que o ambiente para discutir fosse ali. (O assunto irá retornar quando se dará a palavra aos demais presentes).

Depois o secretário analisou a questão da venda de material na escola. Disse que realmente é irregular, que nem cantina se pode ter. Disse haver disponível um kit de material da escola Cecília Meireles e afirmou estar aguardando autorização de recebimento pela direção. Diretora Mirtes afirmou que já foi pedido e agora deveremos aguardar o kit chegar. Quanto ao material waldorf, disse estar aberto a realizar a licitação do mesmo, disse que as informações devem ser encaminhadas até outubro para se conseguir para 2017. Ao saber que não há opções de orçamento, disse que então deve ser visto através da subvenção. Alexandre da secretaria afirmou que a subvenção poderia se encarregar da compra desse material para o ano seguinte.

Falou-se da subvenção, do plano de trabalho da subvenção, que atualmente não especifica professor em sala de aula e sim como profissional formador (tutor). Que apenas em falta de profissional em sala o formador deveria estar em sala como professor. Outros presentes acordaram que tais profissionais encontram-se como professores há alguns anos. Assim, foi sugerido que o plano de trabalho para uma próxima subvenção seja modificado para atender essa questão.

Falou-se do 6º ano, o secretário afirmou que este seria o único ponto onde a secretaria já vem com uma intenção de não dar continuidade à progressão, ainda, nada em definitivo. Devido à uma série fatores e inclusive com um caso atual de dificuldade na transferência de um aluno pelo conteúdo, a secretaria apresenta a intenção de não dar continuidade, o 6º ano seria um protótipo que não funcionou.

Falou-se da merenda escolar para escolas waldorf. O secretário Renato disse estar verificando a possibilidade da nutricionista da secretaria atender as demandas específicas das escolas waldorf, dentro do possível. Afirmou não estar havendo carência de merenda na rede. Expressou estar aberto a nos atender e diz desconhecer nossas necessidades específicas. Citou apenas o pão integral.

Abriu-se para fala dos presentes. Iniciou com Rico do Conselho Municipal dizendo que o convênio deve ser mantido mas atualizado, afirmou que a subvenção deve ser utilizada para atender a formação, tutores e que não deve haver contribuição ou cobrança dos pais, pois fere a escola pública. Renato cita a associação como forma de se manter a contribuição, e Rico afirma que se há, não se pode misturar com as atividades da escola. Erica do Conselho Municipal concorda. Erica fala para se ter cuidado para não se abrir precedentes para outras escolas. Que uma coisa é associação de pais e mestres, o conselho escolar e essa outra associação.

Mirtes explica que não há cobrança e que a contribuição é feita pelos pais através dos pais por conta das necessidades da pedagogia e da manutenção do prédio. Mirtes explica que quando o pai entra na escola é explicado essa possibilidade, que a forma como é colocado não há nem o valor e configura cobrança a partir do momento que há valores.

Marta do Conselho Municipal e mãe coloca que a polêmica iniciou-se com o pagamento de professores e horas extras de professores. Que uma coisa é material, pequenos reparos... e outra é um compromisso de orçamento.  Pois uma escola privada é que tem orçamento. Marta defende o fim da contribuição dentro da escola, que não se recolha dentro da escola. Marta também afirma que como mãe há oito anos, nunca viu sequer uma prestação de contas da ACVLUZ, uma associação nebulosa. Que se contribuir para essa associação, que seja transparente a prestação de contas e suas atividades.

Como mãe, presente, participativa na escola, com quatro filhos na escola, explico que me senti constrangida e cobrada em diversos momentos. Não pelos funcionários da escola, mas pelos pais que me disseram existir a necessidade de bater metas, de pagar professores, de comprar merenda. Que essa pressão veio maior este ano, com a necessidade de se arcar grandes obras como salas e pátio para o 6º ano. Eu me senti pressionada, houve tentativas de me impedir de questionar, por que os pais tem de pagar isso?

Fabio do Conselho Municipal e pai coloca que é inadmissível “monetarizar” as relações da escola através de valores. Que numa escola pública não se deve pagar, nem por material diferenciado. Que ao “monetarizar” as relações na escola, a consequência é que os alunos sejam naturalmente diferenciados, pois uma escola que precisa pagar seus professores com dinheiro dos pais fará o que for preciso para não perder verbas que cobre o orçamento. Isso pode acontecer. Fabio abriu uma sugestão, que Renato entendeu como uma 5ª possibilidade, que é o aluguel do espaço como se faz em tantas outras escolas.     

Bluma do Conselho Municipal e avó coloca que ao longo do tempo mudou sua perspectiva, pois com a abertura das discussões tem-se ouvido muito as reclamações dos pais que se sentem constrangidos e vê hoje a contribuição rítmica dentro do ambiente da escola como algo prejudicial. Bluma se coloca como professora pública numa luta que se deve travar pela escola pública e reconhece o árduo trabalho realizado pelos professores da escola.

Mirtes diretora da EMCM diz que foi eleita pelos pais, pela vontade dos pais. Que é chorona e que não vai chorar, que se sente muito contente por estar ali resolvendo estas questões em conjunto. Explica o envolvimento dos pais na escola, o trabalho dos pais, que em nenhum momento houve nenhuma diferenciação entre turmas ou crianças. Que isso não existe e nunca existiu. Que pelo contrário, há pais que querem colaborar para que aquele lindo projeto continue pois uma escola waldorf particular tem mensalidades entre dois e três mil reais. E que se temos escola pública waldrof, é um bem.

Dioneson diretor do Vale de Luz e da ACVLUZ fala como se faz na EM Vale de Luz, que não há cobrança ou contribuição dos pais. Que há sim padrinhos, mas que o volume de doações é pequeno e que eles se esticam para cobrir tudo. Explica que os materiais waldorf não são vendidos, que todas as crianças recebem igual. Que se faltar para um falta para todos e que doações são recebidas de outras escolas e que o papel canson é comprado com dinheiro do PDDE.

Lúcia presidente da ACVLUZ fala da história da escola e da ACVLUZ, lembra da importância histórica, o trabalho que já foi feito e que ela mesma colaborou na compra daquele terreno da EMCM. Explica que neste momento está havendo a cisão da ACVLUZ em associações menores, que hoje cada parte já tem sua autonomia de gestão e que falta apenas se desmembrar. Explica também que as escolas waldorf tem demandas específicas, que ter uma escola como essa, há tantos anos, pela rede municipal precisa ser visto como algo de bom. Fala também que os pais que não aceitam essas condições, que devessem sair da escola.

O secretário Renato explica que numa escola pública não é bem assim e que não se deve sair quem não concorda e sim somente os pais que quiserem sair. Novamente leva o assunto da contribuição para que seja decidido naquele âmbito, pergunta quem discorda de que a contribuição permaneça através da associação.

Marcelo Verli do Conselho Municipal fala da história da associação, defende o convênio e do tempo de parceria com a associação.  

Fabio, Bluma, Marta, Rico, Erica, Carol (da secretaria de educação) fazem pequenas intervenções quando Dioneson se coloca novamente, como dirigente de uma escola pública. Explica que é muito delicado, muito complicado manter uma contribuição dos pais em uma escola pública. Ele diz não recomendar tal ação. Volta a dar o exemplo da EM Vale de Luz.

Assim, o secretario Renato confirma o fim de qualquer contribuição dentro do ambiente da escola. Inclusive sua promoção dentro da escola. Erica pergunta se a associação pode receber estes pais no escritório fora do ambiente da escola. Lucia e Mirtes afirmam que não há hoje escritório próprio e que os dirigentes recebem as pessoas nas unidades escolares.

O secretário decide criar um grupo menor de trabalho para que se estude e analise o que deverá ser feito a partir de agora. Formado pela secretaria, pelo conselho municipal e pela escola e associação. De sete ou oito pessoas. Os pais deveriam ser informados do conteúdo da reunião de hoje pelos presentes e num próximo estágio, os pais da EMCM deverão ser chamados a participar. O secretário afirma que irá liberar a parcela da subvenção e se encerra a reunião.


Clarissa.  

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